abr 26 2017

A história de Cláudio Augusto

O MONSTRO QUE GOSTAVA DE BRINQUEDOS

 

 

Meu nome é Cláudio Augusto e eu tive uma das piores experiências da minha vida quando eu era uma ingênua criança: ser assustado por meus amigos.

Eu morava no bairro do Itaim Paulista em São Paulo. Minha mãe alugou uma casa simples em uma rua de terra que tinha valeta. Eu tinha 12 anos e, enquanto ela trabalhava, eu ia para a escola e depois da aula brincava com os amigos na rua.

Um dia, eu peguei a minha caixa de brinquedos e mostrei para os meus amigos que eu conhecia há pouco tempo. O nome dos dois amigos eram Eriko e Breno. Eles eram irmãos e moravam a apenas 200 metros da minha casa.

Quando eles viram meus brinquedos ficaram impressionados e brincaram com alguns deles até ficar quase de noite e foi quando falei que era hora de entrar, pois a minha mãe não iria gostar de me ver fora de casa tão tarde.

Foi quando um deles me disse que era perigoso ficar com tantos brinquedos e que o Babatoque podia devorar a minha perna direita. Eu ri muito. Achava que era uma piada deles, mas eles estavam falando como pessoas assustadas. E me contaram a história do Babatoque.

Tratava-se de uma criança órfã que nasceu deformada. Tinha a cabeça muito grande e a boca dele era enorme. Seu corpo não aguentava tanto o peso da cabeça e ele andava segurando a cabeça por todo o lado que ia. Quando estava com 10 anos, ele brincava na rua com os seus brinquedos e uns garotos chutaram a cabeça dele e pisaram e destruíram todos os brinquedos. Babatoque mordeu a perna de um dos garotos e engoliu a perna toda! Os pais dos garotos chamaram a polícia, mas o Babatoque nunca foi achado.

Os outros garotos fugiram e o Babatoque sumiu. Porém ele às vezes aparece chorando, pedindo brinquedos e caso a criança não dê um brinquedo ele come a perna direita dele, pois foi com essa perna que ele foi chutado.

Meus amigos sabiam meter medo e eu era muito ingênuo na época. Eles diziam que se eu não desse os brinquedos para eles o Babatoque iria comer a minha perna direita. Eu me lembro bem de ter dado quase todos os brinquedos que eu tinha para aqueles meninos e depois corri para casa.

Naquela noite eu havia esquecido que a minha mãe chegaria muito tarde. Ela estava separada do meu pai fazia um bom tempo e iria sair com um amigo de que ela gostava muito. Foi uma noite muito assustadora pra mim. Além de estar sozinho, ainda imaginei a história do Babatoque. Andei pelos cômodos da casa verificando se as portas estavam fechadas. Foi quando lembrei que havia deixado a janela do quarto da minha mãe aberta. Corri para fechar quando ouvi um choro de criança.

Eu fiquei paralisado. Ouvi fortes batidas na porta da sala. O choro era alto. Fiquei bem perto da porta e me assustei, pois cada vez eram batidas mais fortes. Eu estava apavorado. O choro foi distanciando e foi aí que lembrei de novo da janela aberta do quarto da minha mãe.

Corri para fechar a janela e quando coloquei a mão no trinco da janela para fechar,  Babatoque segurou meu braço. Eu fiquei apavorado. Gritei muito e a boca dele ficou bem aberta, mas estava desequilibrando para o lado, e ele largou a minha mão para segurar a cabeça e aproveitei aquele segundo e fechei a janela e tranquei.

Ele bateu com a cabeça na janela algumas vezes. Eu me escondi debaixo da cama e fiquei imaginando se ele poderia entrar.

Ele ficou em silêncio. Não ouvi mais nada.

A porta se abriu de repente e eu fiquei assustado. Escutei a voz da minha mãe. Fui correndo e era ela mesma. Falei tudo o que aconteceu e ela achou uma loucura e um absurdo. Falou que meus amigos me enganaram e se aproveitaram da minha ingenuidade para pegar os meus brinquedos. E que eu não era para ser tão ingênuo assim e ter um pouco mais de atitude ou eu poderia ser prejudicado no futuro por pessoas que gostam de se aproveitar de outras. E também lembro que ela queria ir na casa dos garotos logo de manhã e pegar meus brinquedos de volta.

Eu chorei muito naquela noite. Minha mãe não acreditava na história e eu havia perdido meus brinquedos. Eu sabia que o dia seguinte seria complicado.

Acordei às duas horas da manhã ouvindo gritos. Muitos gritos. Depois, ouvi as sirenes e muita gente na rua falando sobre um ataque.

Minha mãe e eu fomos  à janela ver o que estava acontecendo.

Aqueles garotos que me enganaram estavam nas macas e eram levados pelos enfermeiros. Eles estavam feridos e diziam:

— O Babatoque quis comer a minha perna. Quase comeu a minha perna!

 

[Texto enviado por Cláudio Augusto/A.S]