abr 6 2018

A história de Adriano

O PESCADOR : A  LENDA DO MORCEGO BRANCO

Meu nome é Lucas. Geraldo e Alcides eram meus amigos há muito tempo. Eles resolveram me trazer para pescar no rio. Eram bons para pescar e sabiam que eu jamais havia pescado. Seria ótimo contar para os amigos da escola que  eu era mesmo um perdedor. Eles fizeram uma aposta comigo para ver quem conseguia pescar mais peixes.

Era comum na cidade os jovens que pescassem mais peixes se tornassem líderes em suas escolas. Mas pescar à noite… Isso, sim, era um ato de coragem.

Geraldo olhou para o rio, deu um sorriso e me perguntou:

— Tem certeza que não quer desistir, Lucas?

Eu coloquei a lanterna no chão e, enquanto mexia em minha mochila, olhei para o Geraldo e disse:

— Não! Nunca! Se vocês já pescaram por aqui, eu também posso!

Alcides olhou para o Geraldo e deu um sorriso. Então, todos começaram a armar as varas de pesca. Em poucos minutos, nós três estávamos em silêncio, esperando o primeiro peixe morder a isca, quando de repente, escutamos um barulho. Eu me assustei e deixei a vara cair no rio.

— Droga! Perdi a minha vara!

Geraldo e Alcides riram da situação e comentaram:

— Desista, Lucas! Já é difícil ganhar da gente e, agora que perdeu a sua vara, podemos nos considerar vencedores.

— É isso mesmo, Lucas! Você é e será sempre um perdedor!

Revoltado, olhando para a vara de pesca sendo levada pelo rio, eu respondi:

— Eu não vou desistir! Vou pensar em outra maneira de pescar os peixes.  Eu já volto.

Meu nome é Lucas. Geraldo e Alcides eram meus amigos há muito tempo. Eles resolveram me trazer para pescar no rio. Eram bons para pescar e sabiam que eu jamais havia pescado. Seria ótimo contar para os amigos da escola que  eu era mesmo um perdedor. Eles fizeram uma aposta comigo para ver quem conseguia pescar mais peixes.

Era comum na cidade que os jovens que pescassem mais peixes se tornavam líderes em suas escolas. Mas pescar à noite… Isso, sim, era um ato de coragem.

Geraldo olhou para o rio, deu um sorriso e me perguntou:

— Tem certeza que não quer desistir, Lucas?

Eu estava com a lanterna no chão e, enquanto mexia em minha mochila, olhei para o Geraldo…

— Não! Nunca! Se vocês já pescaram por aqui eu também posso!

Alcides olhou para o Geraldo e deu um sorriso e todos começam, a armar as suas varas de pesca. Em poucos minutos nós três estavamos em silencio esperando o primeiro peixe, quando de repente, escutamos um barulho. Eu me assustei e deixei a minha vara cair no rio.

— Droga! Perdi a minha vara!

Geraldo e Alcides riram da situação  e comentaram.

— Desista, Lucas! Já é difícil ganhar da gente e agora que perdeu a sua vara podemos nos considerar vencedores.

— É isso mesmo, Lucas! Você  será sempre um perdedor!

Revoltado, olhando para a vara de pesca sendo levada pelo rio, eu respondi:

— Eu não vou desistir! Vou pensar em outra maneira de pescar os peixes.  Eu já volto.

— Peguei um! Peguei um! — Geraldo gritou.

Lucas pegou a lanterna e saiu, deixando os dois comemorando. Andou pela floresta, falando sozinho.

— Eu nunca vou conseguir pescar os peixes. Eles têm razão! Sou mesmo um perdedor. O pessoal da escola vai rir de mim o ano todo! Para completar,  minha namorada, Marisa, estava fazendo um bolo para comemorar minha pesca. Tenho certeza de que ela vai jogar aquilo na minha cara! Perdedor! Perdedor!

Ouvi novamente o barulho estranho e resolvi investigar. Fui seguindo o som até chegar a um espinheiro enorme. Finalmente, vi um morcego, preso bem no meio dele.

— Ah… Então foi você que me deu um susto… Eu deveria deixá-lo aí para sempre! Tem ideia do que estou falando, hein? Você é apenas um morcego em apuros.

O morcego se debateu, tentando se livrar, mas os espinhos feriam ainda mais o seu corpo. Eu não agüentei ver a angústia do animal. Tirei minha camisa e a rasguei em dois pedaços. Enrolei um pedaço em cada mão para me proteger, quebrei uns galhos da árvore e outros, que estavam prendendo o morcego. Finalmente, o tirei do espinheiro.

Coloquei o morcego no chão. Ele  se lambeu um pouco e logo depois de recuperar sua energia, saiu voando.

Dei um sorriso, feliz:

— Pelo menos alguém se deu bem nesta história. É melhor voltar para o rio, agora. Não vou conseguir pescar nada mesmo…

Quando cheguei ao local onde os meus colegas estavam, percebi que cada um havia pegado cerca de dez peixes. Eles estavam rindo à toa e começaram a gargalhar quando viram que eu havia voltado.

— Olha lá, Alcides! O perdedor assistindo nossa conquista!

— É Geraldo! Vamos fazer um troféu de perdedor e pedir para as garotas mais lindas da escola entregar para ele! Vamos tirar fotos e postar na internet! Ele vai ficar famoso!

Furioso, respondi:

— Pois podem parar de rir! Saibam que eu tenho um plano para pegar mais peixes que vocês! Mas, para isso, eu preciso ficar sozinho aqui na beira do rio!

Havia dito isso para não ter que ficar ouvindo aqueles caras caçoando da minha cara. Eu não tinha plano algum! Vi meus colegas arrumarem suas coisas e deixarem um cesto para eu colocar os peixes. Antes de partir, eles avisaram que eu receberia o troféu de perdedor logo que chegasse na escola, pela manhã.

Eu me sentei na beira do rio, ao lado do cesto vazio, e fiquei ali, pensando na minha derrota. Era humilhante demais! Eu não queria mais pertencer àquele mundo. Quanto mais  pensava em como seria o amanhã,  mais desejava acabar com tudo. Fiquei pensando em me jogar no rio e acabar com tudo ali mesmo. Estava quase chorando.

Eu me levantei, respirei fundo e me preparei para mergulhar na água fria. Eu sabia que não iria sobreviver, pois nem aprendera a nadar… Mas fui surpreendido por uma voz feminina.

— Então acabou!

Meu coração disparou. Acendi a lanterna e fiquei procurando a pessoa que disse aquilo.

– Quem está ai?  Quem é você?  Apareça, alma penada! — gritei.

Aos poucos, uma mulher surgiu  perto da beira do rio. Ela era bem pálida e usava um vestido branco. Seus lábios vermelhos mostravam claramente os seus dentes pontiagudos, proeminentes.

— Você é uma Vampira?

— Quem eu sou não importa! O que você vai fazer… Sim!

— O que eu vou fazer não é da sua conta! Você não sabe nada sobre a minha vida!

— Eu estou aqui faz um bom tempo. Eu ouvi o que seus colegas disseram. Vai ser um verdadeiro perdedor se continuar com esse seu plano insano.

— É minha vida! Faço dela o que eu quiser.

— Vocês, humanos, vivem colocando fantasias na cabeça só para ficarem tristes. Acham que, procurando a morte, encontram a salvação. Será que não entendem que os problemas fazem parte da vida? Que eles aparecem para serem enfrentados?

Lucas baixou a cabeça e disse:

— Eu não sei como vou resolver isso.

— Você já está resolvendo. Você está desabafando com alguém. E geralmente os problemas de uns são fáceis para outros.

— Acha que pode resolver isso?

— Não completamente. Mas posso ajudar. Se quiser.

— Claro que quero! Mas… Mas o que vai querer em troca?

Ela sorriu e se aproximuo. Disse quase sussurrando:

— Um amigo!

A Vampira olhou para as árvores e, com apenas alguns gestos, vários morcegos apareceram e ficaram rodeando o rio. Aos poucos, eles foram mergulhando na água. Cada morcego pegava um peixe e jogava em meu cesto. Em poucos minutos, os morcegos conseguiram encher todo o cesto. Eu fiquei bem impressionado com toda aquela cena. Meu olhos começaram a lacrimejar. Eu olhei para a Vampira e disse:

— Foi mesmo tão fácil para você…

E eu a abracei… Os morcegos voltaram para as árvores.

— Se você vier aqui uma vez por semana, os morcegos encherão o seu cesto de peixes e, assim, poderemos conversar. A floresta é um lugar muito solitário.

Eu concordei. Dei outro abraço na Vampira. Coloquei o meu cesto com peixes nas costas e segui o seu caminho alegremente pois sabia que o dia seguinte seria ótimo.

Enquanto eu me afastava do rio, a Vampira se transformou novamente no morcego branco que eu havia salvado.

(Texto enviado por Adriano Siqueira)

 


abr 26 2017

A história de Cláudio Augusto

O MONSTRO QUE GOSTAVA DE BRINQUEDOS

 

 

Meu nome é Cláudio Augusto e eu tive uma das piores experiências da minha vida quando eu era uma ingênua criança: ser assustado por meus amigos.

Eu morava no bairro do Itaim Paulista em São Paulo. Minha mãe alugou uma casa simples em uma rua de terra que tinha valeta. Eu tinha 12 anos e, enquanto ela trabalhava, eu ia para a escola e depois da aula brincava com os amigos na rua.

Um dia, eu peguei a minha caixa de brinquedos e mostrei para os meus amigos que eu conhecia há pouco tempo. O nome dos dois amigos eram Eriko e Breno. Eles eram irmãos e moravam a apenas 200 metros da minha casa.

Quando eles viram meus brinquedos ficaram impressionados e brincaram com alguns deles até ficar quase de noite e foi quando falei que era hora de entrar, pois a minha mãe não iria gostar de me ver fora de casa tão tarde.

Foi quando um deles me disse que era perigoso ficar com tantos brinquedos e que o Babatoque podia devorar a minha perna direita. Eu ri muito. Achava que era uma piada deles, mas eles estavam falando como pessoas assustadas. E me contaram a história do Babatoque.

Tratava-se de uma criança órfã que nasceu deformada. Tinha a cabeça muito grande e a boca dele era enorme. Seu corpo não aguentava tanto o peso da cabeça e ele andava segurando a cabeça por todo o lado que ia. Quando estava com 10 anos, ele brincava na rua com os seus brinquedos e uns garotos chutaram a cabeça dele e pisaram e destruíram todos os brinquedos. Babatoque mordeu a perna de um dos garotos e engoliu a perna toda! Os pais dos garotos chamaram a polícia, mas o Babatoque nunca foi achado.

Os outros garotos fugiram e o Babatoque sumiu. Porém ele às vezes aparece chorando, pedindo brinquedos e caso a criança não dê um brinquedo ele come a perna direita dele, pois foi com essa perna que ele foi chutado.

Meus amigos sabiam meter medo e eu era muito ingênuo na época. Eles diziam que se eu não desse os brinquedos para eles o Babatoque iria comer a minha perna direita. Eu me lembro bem de ter dado quase todos os brinquedos que eu tinha para aqueles meninos e depois corri para casa.

Naquela noite eu havia esquecido que a minha mãe chegaria muito tarde. Ela estava separada do meu pai fazia um bom tempo e iria sair com um amigo de que ela gostava muito. Foi uma noite muito assustadora pra mim. Além de estar sozinho, ainda imaginei a história do Babatoque. Andei pelos cômodos da casa verificando se as portas estavam fechadas. Foi quando lembrei que havia deixado a janela do quarto da minha mãe aberta. Corri para fechar quando ouvi um choro de criança.

Eu fiquei paralisado. Ouvi fortes batidas na porta da sala. O choro era alto. Fiquei bem perto da porta e me assustei, pois cada vez eram batidas mais fortes. Eu estava apavorado. O choro foi distanciando e foi aí que lembrei de novo da janela aberta do quarto da minha mãe.

Corri para fechar a janela e quando coloquei a mão no trinco da janela para fechar,  Babatoque segurou meu braço. Eu fiquei apavorado. Gritei muito e a boca dele ficou bem aberta, mas estava desequilibrando para o lado, e ele largou a minha mão para segurar a cabeça e aproveitei aquele segundo e fechei a janela e tranquei.

Ele bateu com a cabeça na janela algumas vezes. Eu me escondi debaixo da cama e fiquei imaginando se ele poderia entrar.

Ele ficou em silêncio. Não ouvi mais nada.

A porta se abriu de repente e eu fiquei assustado. Escutei a voz da minha mãe. Fui correndo e era ela mesma. Falei tudo o que aconteceu e ela achou uma loucura e um absurdo. Falou que meus amigos me enganaram e se aproveitaram da minha ingenuidade para pegar os meus brinquedos. E que eu não era para ser tão ingênuo assim e ter um pouco mais de atitude ou eu poderia ser prejudicado no futuro por pessoas que gostam de se aproveitar de outras. E também lembro que ela queria ir na casa dos garotos logo de manhã e pegar meus brinquedos de volta.

Eu chorei muito naquela noite. Minha mãe não acreditava na história e eu havia perdido meus brinquedos. Eu sabia que o dia seguinte seria complicado.

Acordei às duas horas da manhã ouvindo gritos. Muitos gritos. Depois, ouvi as sirenes e muita gente na rua falando sobre um ataque.

Minha mãe e eu fomos  à janela ver o que estava acontecendo.

Aqueles garotos que me enganaram estavam nas macas e eram levados pelos enfermeiros. Eles estavam feridos e diziam:

— O Babatoque quis comer a minha perna. Quase comeu a minha perna!

 

[Texto enviado por Cláudio Augusto/A.S]