A história de Adriano

O PESCADOR : A  LENDA DO MORCEGO BRANCO

Meu nome é Lucas. Geraldo e Alcides eram meus amigos há muito tempo. Eles resolveram me trazer para pescar no rio. Eram bons para pescar e sabiam que eu jamais havia pescado. Seria ótimo contar para os amigos da escola que  eu era mesmo um perdedor. Eles fizeram uma aposta comigo para ver quem conseguia pescar mais peixes.

Era comum na cidade os jovens que pescassem mais peixes se tornassem líderes em suas escolas. Mas pescar à noite… Isso, sim, era um ato de coragem.

Geraldo olhou para o rio, deu um sorriso e me perguntou:

— Tem certeza que não quer desistir, Lucas?

Eu coloquei a lanterna no chão e, enquanto mexia em minha mochila, olhei para o Geraldo e disse:

— Não! Nunca! Se vocês já pescaram por aqui, eu também posso!

Alcides olhou para o Geraldo e deu um sorriso. Então, todos começaram a armar as varas de pesca. Em poucos minutos, nós três estávamos em silêncio, esperando o primeiro peixe morder a isca, quando de repente, escutamos um barulho. Eu me assustei e deixei a vara cair no rio.

— Droga! Perdi a minha vara!

Geraldo e Alcides riram da situação e comentaram:

— Desista, Lucas! Já é difícil ganhar da gente e, agora que perdeu a sua vara, podemos nos considerar vencedores.

— É isso mesmo, Lucas! Você é e será sempre um perdedor!

Revoltado, olhando para a vara de pesca sendo levada pelo rio, eu respondi:

— Eu não vou desistir! Vou pensar em outra maneira de pescar os peixes.  Eu já volto.

Meu nome é Lucas. Geraldo e Alcides eram meus amigos há muito tempo. Eles resolveram me trazer para pescar no rio. Eram bons para pescar e sabiam que eu jamais havia pescado. Seria ótimo contar para os amigos da escola que  eu era mesmo um perdedor. Eles fizeram uma aposta comigo para ver quem conseguia pescar mais peixes.

Era comum na cidade que os jovens que pescassem mais peixes se tornavam líderes em suas escolas. Mas pescar à noite… Isso, sim, era um ato de coragem.

Geraldo olhou para o rio, deu um sorriso e me perguntou:

— Tem certeza que não quer desistir, Lucas?

Eu estava com a lanterna no chão e, enquanto mexia em minha mochila, olhei para o Geraldo…

— Não! Nunca! Se vocês já pescaram por aqui eu também posso!

Alcides olhou para o Geraldo e deu um sorriso e todos começam, a armar as suas varas de pesca. Em poucos minutos nós três estavamos em silencio esperando o primeiro peixe, quando de repente, escutamos um barulho. Eu me assustei e deixei a minha vara cair no rio.

— Droga! Perdi a minha vara!

Geraldo e Alcides riram da situação  e comentaram.

— Desista, Lucas! Já é difícil ganhar da gente e agora que perdeu a sua vara podemos nos considerar vencedores.

— É isso mesmo, Lucas! Você  será sempre um perdedor!

Revoltado, olhando para a vara de pesca sendo levada pelo rio, eu respondi:

— Eu não vou desistir! Vou pensar em outra maneira de pescar os peixes.  Eu já volto.

— Peguei um! Peguei um! — Geraldo gritou.

Lucas pegou a lanterna e saiu, deixando os dois comemorando. Andou pela floresta, falando sozinho.

— Eu nunca vou conseguir pescar os peixes. Eles têm razão! Sou mesmo um perdedor. O pessoal da escola vai rir de mim o ano todo! Para completar,  minha namorada, Marisa, estava fazendo um bolo para comemorar minha pesca. Tenho certeza de que ela vai jogar aquilo na minha cara! Perdedor! Perdedor!

Ouvi novamente o barulho estranho e resolvi investigar. Fui seguindo o som até chegar a um espinheiro enorme. Finalmente, vi um morcego, preso bem no meio dele.

— Ah… Então foi você que me deu um susto… Eu deveria deixá-lo aí para sempre! Tem ideia do que estou falando, hein? Você é apenas um morcego em apuros.

O morcego se debateu, tentando se livrar, mas os espinhos feriam ainda mais o seu corpo. Eu não agüentei ver a angústia do animal. Tirei minha camisa e a rasguei em dois pedaços. Enrolei um pedaço em cada mão para me proteger, quebrei uns galhos da árvore e outros, que estavam prendendo o morcego. Finalmente, o tirei do espinheiro.

Coloquei o morcego no chão. Ele  se lambeu um pouco e logo depois de recuperar sua energia, saiu voando.

Dei um sorriso, feliz:

— Pelo menos alguém se deu bem nesta história. É melhor voltar para o rio, agora. Não vou conseguir pescar nada mesmo…

Quando cheguei ao local onde os meus colegas estavam, percebi que cada um havia pegado cerca de dez peixes. Eles estavam rindo à toa e começaram a gargalhar quando viram que eu havia voltado.

— Olha lá, Alcides! O perdedor assistindo nossa conquista!

— É Geraldo! Vamos fazer um troféu de perdedor e pedir para as garotas mais lindas da escola entregar para ele! Vamos tirar fotos e postar na internet! Ele vai ficar famoso!

Furioso, respondi:

— Pois podem parar de rir! Saibam que eu tenho um plano para pegar mais peixes que vocês! Mas, para isso, eu preciso ficar sozinho aqui na beira do rio!

Havia dito isso para não ter que ficar ouvindo aqueles caras caçoando da minha cara. Eu não tinha plano algum! Vi meus colegas arrumarem suas coisas e deixarem um cesto para eu colocar os peixes. Antes de partir, eles avisaram que eu receberia o troféu de perdedor logo que chegasse na escola, pela manhã.

Eu me sentei na beira do rio, ao lado do cesto vazio, e fiquei ali, pensando na minha derrota. Era humilhante demais! Eu não queria mais pertencer àquele mundo. Quanto mais  pensava em como seria o amanhã,  mais desejava acabar com tudo. Fiquei pensando em me jogar no rio e acabar com tudo ali mesmo. Estava quase chorando.

Eu me levantei, respirei fundo e me preparei para mergulhar na água fria. Eu sabia que não iria sobreviver, pois nem aprendera a nadar… Mas fui surpreendido por uma voz feminina.

— Então acabou!

Meu coração disparou. Acendi a lanterna e fiquei procurando a pessoa que disse aquilo.

– Quem está ai?  Quem é você?  Apareça, alma penada! — gritei.

Aos poucos, uma mulher surgiu  perto da beira do rio. Ela era bem pálida e usava um vestido branco. Seus lábios vermelhos mostravam claramente os seus dentes pontiagudos, proeminentes.

— Você é uma Vampira?

— Quem eu sou não importa! O que você vai fazer… Sim!

— O que eu vou fazer não é da sua conta! Você não sabe nada sobre a minha vida!

— Eu estou aqui faz um bom tempo. Eu ouvi o que seus colegas disseram. Vai ser um verdadeiro perdedor se continuar com esse seu plano insano.

— É minha vida! Faço dela o que eu quiser.

— Vocês, humanos, vivem colocando fantasias na cabeça só para ficarem tristes. Acham que, procurando a morte, encontram a salvação. Será que não entendem que os problemas fazem parte da vida? Que eles aparecem para serem enfrentados?

Lucas baixou a cabeça e disse:

— Eu não sei como vou resolver isso.

— Você já está resolvendo. Você está desabafando com alguém. E geralmente os problemas de uns são fáceis para outros.

— Acha que pode resolver isso?

— Não completamente. Mas posso ajudar. Se quiser.

— Claro que quero! Mas… Mas o que vai querer em troca?

Ela sorriu e se aproximuo. Disse quase sussurrando:

— Um amigo!

A Vampira olhou para as árvores e, com apenas alguns gestos, vários morcegos apareceram e ficaram rodeando o rio. Aos poucos, eles foram mergulhando na água. Cada morcego pegava um peixe e jogava em meu cesto. Em poucos minutos, os morcegos conseguiram encher todo o cesto. Eu fiquei bem impressionado com toda aquela cena. Meu olhos começaram a lacrimejar. Eu olhei para a Vampira e disse:

— Foi mesmo tão fácil para você…

E eu a abracei… Os morcegos voltaram para as árvores.

— Se você vier aqui uma vez por semana, os morcegos encherão o seu cesto de peixes e, assim, poderemos conversar. A floresta é um lugar muito solitário.

Eu concordei. Dei outro abraço na Vampira. Coloquei o meu cesto com peixes nas costas e segui o seu caminho alegremente pois sabia que o dia seguinte seria ótimo.

Enquanto eu me afastava do rio, a Vampira se transformou novamente no morcego branco que eu havia salvado.

(Texto enviado por Adriano Siqueira)

 


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